Carinhosamente apelidada de Loucademia pelos gozadores, AL para os mais apressados ou simplesmente Academia para os mais chegados, quem nunca ouviu um de tantos nomes pelos corredores e arcadas? Quem nunca se aproximou temeroso da sala Pablo Neruda, a tal “salinha da Academia”, curioso sobre aquele cômodo que, ainda que bagunçado e cheirando a loucura, inspirava nos seus membros e pseudo-membros uma freqüência maior que em qualquer aula da faculdade? Curiosamente, como descobrem os que se atrevem a adentrar a salinha, não mordemos!
As noites de “chá de parreira” e delírios poéticos chamadas récitas, os projetos culturais, as publicações, as intervenções e todo o trabalho braçal (em outras palavras, trabalho de calouro) que nos dão tanta satisfação quanto trabalho, são apenas parte da nossa “loucura coletiva.” A outra face desta, se vê nas discussões sobre literatura, intercaladas com debates acalourados sobre futebol, religião, posições e preferências sexuais, política, (des)afetos pessoais, jogos, cultura inútil, atualidades e música, entre outros, que, infelizmente, são vivenciados apenas pelos frequentadores da salinha.
As palavras ainda faltam quando se trata de definir o que realmente é a Academia de Letras. Alguns dizem um antro de vagabundos. Bem, acho que essa não é uma definição muito boa. O que mais chega perto de definir o clima amigável, os surtos de criatividade, e as outras pequenas e grandes coisas que marcam a existência da Academia é com certeza o grupo de pessoas e o espírito criativo, seja ele acalourado ou ”aveteranado”, que fazem do lugar realmente uma segunda casa para todos que a têm em alta estima.
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