FNX

Semana de Artes 2009

setembro 26, 2009 · Deixe um comentário

Eu mesmo, por mim, pra mim, pra você, qualquer um, desse meu jeito… produzir.

Com seus próprios recursos, ou sem seguir tendências:

o que é produção independente?

A Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo convida a todos para uma semana de reflexão sobre a produção artística independente, através de mesas de debate, eventos de vídeo e poesia e outras apresentações.


28/09 a 02/10

Largo de São Francisco, 95 – Centro


sdeartes09 - segunda

sdeartes09 - terça

sdeartes09 - quarta

sdeartes09 - quinta

sdeartes09 - sexta

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Chegando!

agosto 13, 2009 · Deixe um comentário

Caros escritores,

depois de muito tempo levantando recursos, a FNX finalmente toma seu caminho rumo à gráfica!
Os trabalhos se iniciam na próxima semana e devem terminar dentro de 2 ou 3 semanas.

Aguardem!!!

a Edição.

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Pré-lançamento da FNX XX!

março 16, 2009 · 1 Comentário

Caros amigos,

é com imenso prazer que apresento a versão digital de pré-lançamento da FNX número XX!
Após muitos meses de trabalho, rodas literárias, discussões internas, surtos psicóticos e tudo o mais que normalmente acompanha nossos trabalhos, a edição da revista chega ao fim, apresentando a todos, crentes e céticos, o resultado desse esforço. No entanto, nossa empreitada para conseguir finalmente a versão impressa continua, com a promessa de resultados. Assim, interessados em patrocinar nossa revista podem entrar em contato via e-mail: academia.letraz@gmail.com.

Por enquanto, deixo aqui um trecho:

“Se os poetas se calassem subitamente
e só ficasse no ar o ruído dos motores,
porque até o vento se calava no fundo dos vales,
penso que até as guerras se iam extinguindo,
sem derrota e sem vitória,
com a mansidão das coisas estéreis.”

Agustina Bessa-Luís

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Para fazer o download, acesse nossa página “FNX XX” ou clique aqui. (Download pelo zShare, 2,91 Mb)

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Saudações acadêmicas,

Guilherme Guidi
Academia de Letras da Faculdade de Direito do Largo São Francisco
Edição FNX

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Começando bem o ano! Roda, récita… só faltava uma doação anônima de 10 mil reais, rs…

fevereiro 27, 2009 · 1 Comentário

1ª   RODA DE DISCUSSÃO LITERÁRIA


Primeiramente, algumas informações.

Local: pátio das Arcadas

Data: 04/03,  Quarta-feira

Horário: 14h

Tema sugerido: “Crítica? O que é? Por que realizá-la? Uma introdução à dinâmica das rodas de discussão.”

Leituras sugeridas:

->>>Sítio”, poema de Cláudia Roquette-Pinto

-disponível em:  http://www.claudiaroquettepinto.com.br/livros-margem.html

->>>Situação de Sítio” -  Crítica da prof.ª  Iumna Maria Simon da USP ao poema “Sítio” de Cláudia Roquette-Pinto.

-disponível em:  http://novosestudos.uol.com.br/acervo/acervo_artigo.asp?idMateria=1306 (PDF)

Observações:

1. As rodas de discussão são ABERTAS a todos os interessados, calouros ou veteranos, alunos ou não.

2. A pauta de discussão normalmente é aberta, mas dessa vez o tema foi selecionado para acolher os calouros e reacender dúvidas nos veteranos.

3. As rodas são eventos semanais ou quinzenais. Acompanhe nosso blog para as datas e horários permanentes para o semestre.

Dadas essas informações, vamos às explicações.

A Academia de Letras tem dois objetivos primordiais: o incentivo à produção cultural e a articulação dos micro-núcleos de produção no ambiente da faculdade.
“O quê????”
Produção cultural: o conjunto de obras (de qualquer setor da arte e da literatura) produzidas em um âmbito específico. (Não me venham com falácias já que isso é só uma definição estipulativa…)
Micro-núcleos de produção: vocês! Pessoas que produzem, de músicas à textos, escultura, pintura ou qualquer outra coisa classificada como arte. Por que ‘micro’ núcleos? Porque inicialmente, ou talvez por escolha própria, as pessoas não compartilham sua produção por medo ou vergonha, isolando-se de outras pessoas que produzem também, tornando o contato do escritor com outros com mais ou menos experiência, dificultando o crescimento e o aprimoramento do indivíduo no ramo da arte em que atua, já que a arte não pode ser um produto egoísta, já que seu próprio conceito não depende apenas da expressão, mas da finalidade desta, da comunicação entre autor e público-alvo.

Nosso trabalho tem se desenvolvido visando sempre a integração entre escritores e outros artistas, proporcionando a eles um espaço de discussão, aprimoramento e busca da produção da obra completa, tão almejada por tantos. A concretização desses 2 fins, finalmente, se traduz nos nossos projetos principais: a publicação acadêmica FNX e as rodas de discussão.

RÉCITA DE BOAS-VINDAS À TURMA 182

Pois bem, começamos 2009 em grande estilo! Quantos não devem ter estranhado a procissão de capas pretas pelo Salão Nobre, cantando um mantra em latim e se espancando com volumes bastante pesados (minha cabeça doeu até sexta à noite)…

Salão Nobre

Salão Nobre

Se não estranharam, nos deram como loucos varridos pelo corre-corre pela faculdade naquele mesmo dia. Pufs que vão. Pufs que voltam. Voltam menos Puf e mais sujos, mas eventualmente voltam. Sofás que sobem e descem escadas, sofás que (por milagre) atravessam as imensas pequenas portas de nossa sede social. Quem já está quase se tornando uma das pedras das arcadas depois de tanto tempo passado lá já está acostumado. Quem acaba de chegar ainda vai se acostumar. Vai ainda tomar gosto por isso um dia.

Ah?

Ah?

Calouros animados. Veteranos curiosos. Túmulo barulhento. Récita cheia. (Pessoal da organização feliz!)

Pois é, calouros. Aquilo foi uma récita, não um delírio poético-etílico. Livros e mais livros, gritos, choros, dramatizações, discursos, “batatinha quando nasce”. Fora essa última, as manifestações poéticas foram marcadas por uma tendência à revolta (Eu não sou da paz!)… coincidência? Não sei não…

O fato é que calouros compareceram, participaram, se interessaram! Bem-vindos! Aos veteranos sumidos, voltem!

recita3

Fato é que continuamos trabalhando. Quem quiser ajudar é só se apresentar ao nosso QG.

Veterano empolgado

Veterano empolgado

Saudações acadêmicas a todos,

Um grande abraço.

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As devidas boas-vindas!

fevereiro 7, 2009 · Deixe um comentário

Um post especial hoje para nossos novos calouros da turma 182. Quem diria, passou-se já um ano. Um ano de muito trabalho, muita correria, muito estresse. Mas estamos vivos, com alguns a menos, mas talvez com alguns a mais depois dessas próximas semanas. Convido a todos que nunca exploraram nosso blog, seja por preguiça ou por serem calouros, que se aventurem por nossas páginas. Tudo aqui retrata quase que exatamante o que somos: loucos, excêntricos, vagabundos? Não! (Ok, quem sabe um pouquinho de cada coisa, mas no total isso é pouco.) Pessoas em busca de satisfação na arte e na literatura.

Para tentar facilitar, aqui vão dicas sobre o que fazer se você se interessou pela Academia.

1. Frequente(viva a nova ortografia?) nossa sede social, localizada no térreo, ao lado do hall dos elevadores. Conhecer nossos membros é um passo fundamental. Nós também queremos conhecê-los, por isso, não tenham medo.

2. Compareça aos nossos próximos eventos: uma récita a ser realizada durante a SEREC e outro na segunda semana de março.

3. Fique atento às atualizações do nosso blog, pois divulgamos nossos eventos por esse canal também.

4. Pergunte a qualquer de nossos membros sobre o(s) projeto(s) que mais lhe interessar(em). Aqui vão alguns: récitas e arcafés, rodas de leitura e discussão, Cafofo Jam Session, Cine Gaiola Franciscana, revista literária FNX, Semana de Artes da AL, FLAP!, FNX Printscreen um blog na tábua, Halloween AL.

5. Fique atento ao EDITAL PARA ADMISSÃO 2009, a ser lançado em breve. A todos os interessados só digo isso para que saibam: não recusamos ninguém, no worries.

Esperamos que todos aproveitem muito bem sua semana de recepção e que consigam entrar um pouco no ritmo de vida da faculdade.

Por fim, estamos à disposição para atender a qualquer dúvida, questão, anseio existencial ou problema conjugal (com participação ativa, claro) pessoalmente ou pelo email: academia.letraz@gmail.com.

Saudações franciscanas,

a Academia de Letras.

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Rodas – Programação da semana

outubro 7, 2008 · 1 Comentário

Caros escritores,

venho informar que, extraordinariamente, esta quinta-feira (5a – 09/10) teremos uma roda de discussão literária extra, às 14h, na sala da Academia. Os autores em pauta serão informados em breve e todos os outros estão devidamente convidados, havendo sempre a possibilidade de discussão de textos diversos dos planejados. Todos que comparecerem serão muito bem-vindos.

 As rodas de 3a feira continuam ocorrendo em seus horários normais, às 10h e às 19h, na sala da Academia. Os autores na pauta desta 3a feira (07/10) são: Gabriel Mourão Soares, Bárbara Freitas, Victor Alexandre G. Falavinha, Anna Clara de Vitto e Camila Tacla Barbosa. Esperamos a presença de todos.

Atenciosamente,

Guilherme Guidi
Academia de Letras da Faculdade de Direito da USP
Edição FNX

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Estrela

outubro 7, 2008 · Deixe um comentário

As duas máquinas de costura num tatatá dessincronizado, dois trens de carga a irritar os ouvidos o dia todo. A moça da máquina da esquerda pára a costura e tenta sintonizar o rádio de pilha, Vai começar, tenta avisar segurando entre os lábios dois alfinetes de cabeça azul. O homem do rádio começa uma história de terror, deve ser de terror porque a música de fundo lembra um castelo escuro com sombras suspeitas atrás das portas.

Margarida entre as duas máquinas tenta encolher a barriga, Ai, Janaína, assim você me espeta!, segura-se nos cabelos duros da moça que lhe prende alfinetes na cintura do vestido, Se apertar mais fica feio, Margarida. Pode apertar, aperta bem que esse pano fica uma beleza. O homem do rádio vai dizer o que está se movendo embaixo da cama mas a máquina de costura recomeça, um trem barulhento atropelando a história, estilhaços nos trilhos, O que foi que ele disse? Mas essa coisa não pára um segundo, não se pode ouvir o rádio?

Uma mulher aparece com duas sacolas, Queria que fizessem as barras. Mas só pra semana que vem, pode ser? Partiu sem responder, as sacolas abertas no chão, uma calça de listas laranjas se insinuando serpente pelo tapete, Ê gente sem educação. Anda, Janaína, vou atrasar, não posso atrasar por nada! Mas que raio de show é esse, Margarida? Mais um alfinete enrugando a cintura que ela afina em lufadas de ar, a cara ficando roxa, Aperta logo, anda! fui chamada, já disse, vão me pagar fortunas, a fama finalmente, mulherada, eu disse que o dia chegaria.

Uma senhora gorducha de chinelos se apóia no corrimão comendo uma mexerica, o cheiro cítrico atraindo os olhares, Dona Janete, dá um gominho pra mim? Dona Janete morde um gomo e puxa dos dentes para dar só a metade que Margarida engole com as sementes, Cuidado não manchar o vestido, menina! O homem do rádio grita apavorado, fala de morcegos, Não dá pra desligar a costura só um pouquitinho? Janaína tenta tirar o vestido de Margarida sem lhe arrancar os alfinetes, a moça nua escondendo os seios com uma mão e com a outra ajeitando a calcinha amarela que lhe penetrava as dobras, as meias grossas brancas acinzentando no chão sujo, Agora não vai parar nada que vai arrumar o meu vestido, atrasadíssima!

Dona Janete lhe enfia outro meio gomo na boca, Mas atrasada pra quê, mocinha? Já expliquei, um show todinho meu, canto e danço, uma hora e meia, ouviram? Uma hora e meia sem parar! Vão filmar e tudo, Seu Roberto disse que vão gravar CD, dá pra pregar mais firme esse botão de cima? Dona Janete senta na escada e abana o entrepernas com a saia florida, Mas então isso é coisa séria, é coisa de famoso? Famosíssimo! vocês que não me dão bola, fica essa barulheira da máquina mas hoje sou a estrela da noite, vou brilhar sozinha, vou ser mais um planeta no sistema solar, baby. E planeta agora brilha, Margarida?

Margarida examina as unhas com um esmalte perolado e depois examina os seios no espelho do canto, Você acha que cresceram muito? Demais, e quero ver essa barriga apertada no vestido! Ah Janaína, nem se nota, vai? Dona Janete levanta com dificuldade e estala as chinelas na direção da menina pelada, acaricia-lhe o ventre com a mão gelada de mexerica, Isso aqui tem o quê, quatro meses? Nem quatro, não, senhora, menos até. E o nome, já escolheu? Violeta, vai chamar violeta. Ai, mais que coisa mais cheia de flor que vai ser essa sua casa. E olhe que minha mãe chama Rosa. E seu pai, Seu Miosótis? As meninas da frente dão risada mas as de trás ficam olhando sérias, talvez porque não conheçam miosótis, ou porque o barulho da máquina e os morcegos macabros do rádio não lhes permitem participar das conversas, ou talvez porque Miosótis o nome do próprio pai.

Se for menino, Margarida, como é que vai fazer? Jacinto, jacinto é uma flor bonita, azulada. Não gosto de azul. Ah Margarida, azul é quase violeta! Janaína termina a cintura do vestido e lambe a ponta do dedo pra tirar da barra uma manchinha branca, vamos ver se vai fechar, com essa barriguinha! Já tenho até um bercinho roxo pra Violeta, sabia? o Miguel que arranjou lá na marcenaria, disse que ficou a tarde inteira pintando, fez umas florinhas pequenas no cantinho, precisa de ver que graça que ficou. E o Miguel sabe desse show? Não só sabe como vem me buscar aqui pra gente ir direto, disse que não me quer mais em pé dentro de ônibus sacolejando a menina na barriga, diz que essas coisas deixam o nenê meio biruta. Pois olha só, eu que não reclamava de um cuidado desses! Abaixa um pouco rádio, Luciana, não se escuta a conversa! Mas sabia que ele não queria que eu fosse? imagina só, não perco uma chance dessas por nada no mundo, meu nome e minha foto no cartaz, vocês não viram nos postes? Eu bem que vi um ali perto da padaria, mas pensei que fosse alguém parecido! Euzinha. essa ninguém me tira.

Janaína sobe o zíper do vestido aos trancos e depois sorri por cima do ombro de Margarida, mirando-lhe os olhos enormes no espelho, Você está a coisa mais linda que eu já vi. Margarida se olha ajeitando devagar o cabelo, um sorriso estático, Fiquei bonitona mesmo… Fecha os olhos numa tontura que disfarça apoiando no pau de uma vassoura, Janaína lhe segura o braço já principiando um escândalo mas Margarida lhe sussurra, os olhos molhados de um suor frio que lhe escorria da testa: quieta, pelo amor de deus.

Janaína olha para trás e vê as moças com suas máquinas, rádios e mexericas, uma delas lixa as unhas e discorda indignada do que diz o horóscopo do jornal. Sobe a mão por dentro do vestido de Margarida e um choro instantâneo lhe escorre pesado dos olhinhos amarelos de tabaco e fome, Muito sangue, Margarida, a Violeta indo embora! Margarida se apóia na parede do canto e pede de novo silêncio, os olhos dilatados ficando mais gigantes de pânico, É o Miguel buzinando, você não diga nada. Você vai sangrar a noite inteira! Aperta a própria barriga escondendo a cólica num sorriso doído. Enxuga o sangue num retalho caído no chão e sai tonteando num rebolado exagerado, as meninas em coro: Tchau, Margarida! muito sucesso pra você! Ainda acena de volta, o sorriso imóvel. No final do olhar se demora em Janaína, um brilho antigo se apagando nos olhos. Um brilho de estrela.

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Aviso importante!

setembro 23, 2008 · 2 Comentários

Caros escritores,

venho transmitir algumas informações sobre o andamento de nossa publicação.
Por conta do grande número de inscritos, frente às nossas limitações editoriais, percebemos que provavelmente teremos que realmente selecionar alguns textos e excluir outros. Tendo em mente as finalidades da publicação, consideramos ser mais importante a discussão que a publicação em si. Deste modo, decidiu-se que, na ocasião da seleção, terão preferência os textos discutidos e os autores presentes nas rodas. Assim recomendamos que compareçam sempre que puderem às rodas.

Nossas próximas rodas de discussão acontecerão 3ª feira, 23/09, às 10h e às 19h, na sala da Academia de Letras. Os próximos autores a serem discutidos serão: André Marcon, Marilia S. Kotait, Guilherme Valente e Gustavo B. Gonçalves.

Obs.: Recomenda-se que cada autor esteja presente na roda em que forem discutidos seus textos, mas a participação em qualquer roda já é válida.

Atenciosamente,
Guilherme Guidi
Academia de Letras da Faculdade de Direito da USP
Edição FNX

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O fato, a repercussão, a perícia, o protocolo

setembro 20, 2008 · Deixe um comentário

Ao meio-dia,

em plena via,

Augusto seguia

em

DESABALAAAAAADA

S A N G R I A

Funcionário público quaisquer

encontrado morto em esquina quaisquer.

Corpo será velado em cemitério quaisquer.

O morto partiu sem deixar filhos, sonhos, saudades;

apenas minutos de silêncio.

RELATÓRIO NÚMERO DEZENOVE MIL

OITOCENTOS E NOVENTA E QUATRO,

TRAÇO JOTA, DA SUB-SEÇÃO QUINTA

DO INSTITUTO MÉDICO LEGAL.

CAUSA MORTIS: PUNHALADAS DIÁRIAS

Nós, da Robusta Repartição, lastimamos,

e desejamos à viúva, Sra. Esperança,

melhores dias.

Inscrição 019

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Soneto

setembro 14, 2008 · Deixe um comentário

Sempre achei que sabia quem era eu,

Mas ainda não sei quem eu era e sou,

Pois, se quem eu achava ser não sou,

Desisto de saber quem era eu.

Sempre achei que sabia ela quem sou,

Mas se não sei quem sou nem mesmo eu,

E se eu próprio não sei quem é meu Eu,

Como o mundo saber irá quem sou?

Nós mesmos não sabemos quem nós somos,

E não sabem quem são também os outros,

Muito menos os outros quem nós somos.

Se nem mesmo quem somos não sabemos,

Nós nunca saberemos sobre os outros,

E o que sabemos nunca saberemos.

Inscrição 013

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